A delação do Ex-senador Delcídio e até a crise do país pesaram na prisão de Paulo Bernardo

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A delação do ex­-senador Delcídio do Amaral (sem partido ­ MS) e até a crise econômica do Brasil foram levados em conta pelo juiz que aceitou o pedido de prisão preventiva contra o ex-­ministro Paulo Bernardo, detido nesta quinta-­feira (23) na operação Custo Brasil da Polícia Federal.

Citando depoimentos de Delcídio –para quem Paulo Bernardo é “muito influente” e tem “muita força política”–, a PF e o Ministério Público Federal argumentaram que o ex-ministro poderia agir para atrapalhar as investigações.

O juiz Paulo Bueno de Azevedo acatou essa tese e acrescentou que a “relação espúria” de Paulo Bernardo com outro acusado preso nesta quinta, o advogado Guilherme Gonçalves, representaria um risco concreto de manipulação de provas e de testemunhas.

Diferentemente da prisão temporária, que dura cinco dias, a prisão preventiva não tem prazo definido e só é autorizada quando a liberdade do acusado põe em risco a instrução criminal ou a sociedade. O magistrado também aceitou o argumento dos investigadores segundo o qual a prisão do petista seria necessária para evitar que o dinheiro supostamente desviado por ele ficasse fora do alcance da Justiça.

Segundo eles, Paulo Bernardo estaria fazendo depósitos em previdência privada com o objetivo de blindar os valores de possíveis ordens de bloqueio. A decisão destaca que os R$ 7 milhões que o ex-­ministro teria recebido ainda não foram localizados e que haveria risco expressivo “de realização de novos esquemas de lavagem desses valores”.

Para o juiz, essa possibilidade seria um risco à ordem pública e às contas do país “que enfrenta grave crise financeira, a qual certamente é agravada pelos desvios decorrentes de cumulados casos de corrupção”. “Vale lembrar que não existe apenas risco à ordem pública quando o acusado mostra­-se perigoso para a sociedade num sentido violento.

Tal interpretação fatalmente relegaria a prisão preventiva apenas para investigados ou acusados pobres. A corrupção também representa um perigo invisível para a sociedade”, escreveu o Azevedo.

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