Quem ganha com a crise? Bancos. Juro do cartão de crédito ultrapassa 400% ao ano

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Informações do Estadão

A taxa de juros cobrada no rotativo do cartão de crédito de pessoas físicas voltou a subir em agosto e pela primeira vez ultrapassou 400% ao ano, segundo dados do Banco Central. Em agosto, a taxa ficou em 403,5% ao ano, contra o juro de 394,7% ao ano em julho. É a maior taxa desde o início da série histórica do BC em março de 2011.

Só neste ano, o juro do rotativo avançou 71,9 pontos porcentuais. Em 12 meses, a alta é de 92,2 pontos porcentuais. O juro do rotativo é cobrado se o consumidor deixa de pagar o total da fatura do cartão de crédito. No caso da pessoa jurídica, o juro é menor, mas não deixa de ser caro. Em agosto, ficou em 250,2% ao ano contra 246% no mês anterior.

O cheque especial, outro instrumento caro de crédito, registrou um aumento da taxa de 246,9% ao ano em julho para 253,2% ao ano no mês passado. Ao longo de 2015, as taxas cobradas por esta linha subiram 52,2 pontos porcentuais. Em dezembro de 2014 o juro médio dessa modalidade estava em 201,0% ao ano.

A taxa média de juros no crédito livre subiu de 44,3% ao ano em julho para 45,3% ao ano em agosto. Com essa alta, a taxa volta a ser a maior taxa da série iniciada em março de 2011. Desde o início do ano, em todos os meses a taxa de juros tem sido recorde e batido a do mês anterior.

Para pessoa física, a taxa de juros no crédito livre passou para 61,2% em agosto, também a maior da série histórica. Para pessoa jurídica, houve elevação para 28,5% de julho para agosto. Já para o crédito pessoal, a taxa total subiu para 50,6% em agosto. No caso de consignado, a taxa ficou estável em 27,8%de julho para agosto. Na aquisição de veículos para pessoas físicas, os juros passaram para 24,8% de um mês para outro.

A taxa média de juros no crédito total, que também inclui as operações direcionadas, subiu de 28,4% em julho para 29% em agosto. O spread bancário médio no crédito livre subiu de 31,5 pontos porcentuais em julho para 31,9 pp em agosto. Trata-se do maior nível da série histórica iniciada em março de 2011. O spread médio da pessoa física no crédito livre passou de 46,7 pp para 47,4 pp. Para pessoa jurídica, o spread médio se manteve em 15,5 pp no período.

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