Dólar atinge R$ 4,14 e o Banco Central intervém para reduzir a cotação

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Informações do Estadão

Moeda sobe após atingir maior cotação desde a criação do real, com crise política e risco de novo rebaixamento da nota de crédito do País no radar

O dólar comercial abriu em queda nesta quarta-feira, 23, mas inverteu o sinal ainda no início das negociações, pressionado pela retomada da cautela com o cenário fiscal e político no País. Às 14h35, a moeda subia 1,73% e era negociada a R$ 4,12. Na máxima, a moeda bateu os R$ 4,144 (alta de 2,32%). Na véspera, fechou a R$ 4,05, a maior cotação desde a criação do Plano Real, em 1994.

Para conter a escalada do dólar, o Banco Central anunciou três operações para injetar recursos no mercado. Em uma delas, que foi realizada por volta das 13h, o BC vendeu 4,4 mil contratos de swap (venda de dólares no mercado futuro) que vencem em 1º de setembro do ano que vem. O valor da operação, em que o BC vendeu apenas 20% dos contratos ofertados, totalizou US$ 211,4 milhões. As demais ações serão realizadas entre hoje e amanhã.

Na mesma faixa horária, a Bovespa caía 1,51%, aos 45.567 pontos. Principal índice de ações da Bolsa, o Ibovespa abriu em queda e inverteu o sinal ao longo da manhã, puxado por um movimento de compra das ações da Petrobrás. Entretanto, o índice voltou a operar em queda no início da tarde.

No radar dos investidores também está a missão da Fitch. Em seu segundo dia de reunião com a equipe econômica, em Brasília, a agência de classificação de risco avalia a situação do País e há temores de um novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil.

O Congresso não analisou ainda o veto ao reajuste de até 78% dos salários do Judiciário, que pode ter impacto de R$ 36,2 bilhões nas contas públicas até 2019. A sessão foi interrompida por falta de quórum e não há prazo definido para a retomada dessa votação. De todo modo, o recuo, a princípio, respondeu à manutenção da maioria dos vetos presidenciais pelo Congresso, em sessão que durou cinco horas e terminou na madrugada de hoje. Foram mantidos 26 dos 32 vetos presidenciais a medidas com forte impacto nas contas públicas.

O mercado aproveitou a boa notícia para realizar lucros vendendo moeda, após o dólar ter fechado no maior patamar em 21 anos. Os ganhos estavam acumulados em 11,03% no mês e em 40,03% em 2015.

Também influencia os negócios locais o enfraquecimento do dólar frente o euro e algumas divisas de países emergentes e exportadores de commodities no exterior, como o peso chileno e o peso mexicano.

Dados fracos do setor de manufatura da China em setembro apoiam especulações no exterior sobre a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) adiar o aumento dos juros básicos para 2016. Isso ajuda a enfraquecer a moeda americana lá fora.

Na semana passada, o Fed decidiu manter os juros inalterados, em meio às incertezas causadas pela desaceleração chinesa, e nos últimos dias vários dirigentes regionais da instituições vinham se manifestando em defesa do início da alta ainda neste ano, dando suporte ao dólar e aos juros dos títulos americanos. O aumento da taxa teria impacto no câmbio, pois aumentaria a rentabilidade desses títulos, considerados investimentos mais seguros.

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