Eduardo Cunha informou ao banco Merryll Lynch patrimônio de US$ 16 mi em 2011

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Apesar de ter declarado à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 1,4 milhão na eleição de 2010, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), informou no ano seguinte ao banco Merryll Lynch (atual Julius Baer), na Suíça, que era dono de um patrimônio líquido de US$ 16 milhões (equivalentes a R$ 61,9 milhões), revela documento interno da instituição financeira encaminhado à Procuradoria Geral da República (PGR).

Patrimônio declarado por Eduardo Cunha à Justiça Eleitoral na eleição de 2010 (Foto: Reprodução / TSE)

A TV Globo teve acesso com exclusividade à documentação encaminhada pelo Ministério Público suíço ao Brasil. Os 35 arquivos enviados pela Suíça também mostram a reprodução de documentos pessoais do peemedebista e de familiares, como passaporte, visto norte-americano, nome completo, data de nascimento e endereço em um condomínio de luxo na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro.

As investigações do Ministério Público da Suíça indicam que Eduardo Cunha manteve quatro contas bancárias no país europeu, abertas entre 2007 e 2008. Dessas, duas teriam sido fechadas pelo deputado no ano passado, em abril e maio. As outras duas contas, com saldo de 2,4 milhões de francos suíços (cerca de US$ 2,4 milhões ou R$ 9,3 milhões), foram bloqueadas pela Justiça suíça.

No total, as contas de Cunha na Suíça, indicam as investigações, receberam nos últimos anos depósitos de US$ 4.831.711,44 e 1.311.700 francos suíços, equivalentes a cerca de R$ 23,8 milhões, segundo a cotação desta sexta-feira (16).

Em nota divulgada na tarde desta sexta, o presidente da Câmara voltou a negar ter recebido “qualquer vantagem de qualquer natureza” e disse reiterar o depoimento dado à CPI da Petrobras, no qual negou ter contas no exterior. Na nota, de 15 parágrafos, assinada pela assessoria da presidência da Câmara, ele se diz alvo de “perseguição” do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Lista do patrimônio declarado por Eduardo Cunha à Justiça Eleitoral, em 2014 (Foto: Reprodução/TSE)Lista do patrimônio declarado por Eduardo Cunha à Justiça Eleitoral em 2014 (Foto: Reprodução/TSE)

Na declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral para as eleições do ano passado (veja a imagem acima), Cunha declarou ter um patrimônio de R$ 1.649.226,10. Ele disse ser dono de um Toyota Corolla, do ano de 2007, avaliado em R$ 60 mil; de uma sala comercial, avaliada em R$ 335 mil; de cotas nas empresas C3 Participações Artísticas e Jornalísticas (R$ 840 mil) e Jesus.com Serviços de Promoções, Propaganda e e Atividades de Rádio (R$ 47,5 mil).

Em 2014, o presidente da Câmara também declarou à Justiça Eleitoral possuir 50% de um apartamento (R$ 175 mil), havido por herança; plano de previdência no Banco Bradesco e R$ 70 mil como parte de herança recebida por ele. Na declaração, Cunha diz ter apenas uma conta em seu nome, no Banco Itaú.

Passaporte de Eduardo Cunha e visto dos Estados Unidos (dir.) no documento (Foto: Reprodução)Cópia do passaporte e do visto norte-americano do presidente da Câmara que foi anexado na abertura de contas na Suíça (Foto: Reprodução)

Elaborado por uma funcionária do antigo Merryll Lynch em 25 de julho de 2011, o parecer de análise de risco e perfil de Eduardo Cunha o classifica como um cliente com “perfil agressivo” e com interesse em “crescimento patrimonial”.

À época, a analista de risco relatou no memorando que conhecia Cunha havia seis anos, sendo que, destocou a funcionária, ele era cliente do banco desde 1991. Segundo ela, o patrimônio de Cunha foi construído com receitas obtidas por meio de seu salário de deputado federal, investimentos no mercado imobiliário e “um grande portfólio de ações” que ele vinha “negociando regularmente ao longo dos últimos 20 anos”.

O relatório do banco suíço destacou ainda que, em 2011, Eduardo Cunha mantinha um saldo de US$ 5 milhões nas contas que ele mantinha no banco, sendo que, observou a analista de risco, as principais contas eram às vinculadas às offshores Orion SP e a Triumph SP.

Os documentos enviados pelas autoridades suíças ao Brasil apontam que o presidente da Câmara manteve quatro contas bancárias no país europeu, abertas entre 2007 e 2008. Dessas, duas teriam sido fechadas pelo deputado no ano passado, em abril e maio.

As outras duas contas, com saldo de 2,4 milhões de francos suíços (cerca de US$ 2,4 milhões ou R$ 9,3 milhões), foram bloqueadas pela Justiça suíça.

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