Mitos e fatos do papel

752

POR ELIZABETH DE CARVALHAES

No Brasil, 100% da produção de papel, inclusive o papel usado nos escritórios, tem origem nas árvores plantadas, que possuem ciclo de colheita e plantio anual, em um processo renovável, e sem desmatar matas nativas. Ainda assim, a frase “Antes de imprimir, pense no meio ambiente” continua na moda e nas assinaturas de e-mails corporativos. A expressão causa impacto, cria a ilusão de um forte compromisso ambiental e ainda deixa um certo peso na consciência pelo uso do papel. O que poucos sabem é que o papel de florestas plantadas e seu consumo não prejudicam o meio ambiente. O que a frase esconde é seu verdadeiro objetivo: redução de custos.

ELIZABETH DE CARVALHAES
ELIZABETH DE CARVALHAES

O papel vem da árvore sim, mas não desmata florestas nativas e importantes para o mundo, como a Amazônia. No Brasil, por exemplo, a maior parte das árvores plantadas está localizada nas regiões Sul e Sudeste, com presença também no Centro-Oeste e Nordeste.

As florestas plantadas brasileiras não destroem mata nativa, pelo contrário: elas recuperam áreas degradadas previamente pela ação do homem, e contribuem para preservar a biodiversidade por meio de técnicas como o plantio em mosaicos, no qual árvores para fins industriais se intercalam com as nativas, criando corredores ecológicos.

Até mesmo a colheita é feita de forma a pensar na preservação do meio ambiente, com resíduos das árvores como cascas, folhas e galhos sendo deixados no local. Isso garante a ciclagem de nutrientes, a retenção de umidade pela camada de resíduos, e, consequentemente, a conservação do solo.

Dessa forma, o setor de florestas plantadas atua rigorosamente na proteção ao meio ambiente, preservando 0,65 hectare de mata nativa para cada hectare cultivado para fins industriais, acima do exigido pela lei brasileira. Isso sem falar de parcerias para recuperação de habitats como a Mata Atlântica, envolvendo os investimentos das empresas florestais, a participação de pequenos produtores e ambientalistas com um objetivo comum: recuperar 15 milhões de hectares da floresta até 2050.

As florestas cultivadas de forma sustentável por indústrias como papel, celulose e painéis de madeira permitem retirar significativa quantidade de CO2 da atmosfera, gás que permanece armazenado nos produtos derivados dessas árvores. Para ter uma ideia da importância disso, em 2014 os 7,74 milhões de hectares de árvores plantadas no Brasil foram responsáveis pelo estoque de aproximadamente 1,69 bilhão de toneladas de dióxido de carbono.

Assim, sem utilizar madeira de matas nativas e adotando métodos sustentáveis, as empresas de florestas plantadas do Brasil se tornaram referência mundial, e por utilizar matéria-prima de origem renovável, a indústria não gera grande quantidade de resíduos perigosos.

Outra vantagem do uso do papel é o fato deste ser reciclável, ou seja, grande parte retorna ao ciclo produtivo após o consumo. E o Brasil tem atuação importante nesse trabalho, figurando entre os principais recicladores de papel do mundo. Na produção de papel e de artefatos, por exemplo, as sobras de papel são recicladas na própria unidade ou encaminhadas para reciclagem em outras fábricas, na forma de aparas de papel. Em 2014, foram reciclados 4,57 milhões de toneladas do produto, o que equivale a uma taxa de recuperação de 56,6%.

O papel é um dos produtos mais consumidos no mundo e, há séculos, faz parte do cotidiano da humanidade. Como meio básico de educação, comunicação e informação para a maioria das pessoas, compõe livros, jornais, revistas, documentos e cartas e, assim, contribui para a transmissão do conhecimento. O papel é em realidade um produto sustentável, feito com fontes renováveis certificadas e que contribui para o meio ambiente e clima por meio da mitigação das emissões de carbono e reciclagem.

(*) Presidente Executiva da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores)

SEM COMENTÁRIOS