STF decide retirar a investigação sobre Gleisi Hoffman da Lava-Jato

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Gleisi-Hoffmann
Senadora Gleisi Hoffmann

Com informações de O Globo

Na última terça-feira, Dias Toffoli votou para que o processo seja totalmente desvilculado da vara comandada pelo juiz Sérgio Moro

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu na tarde desta quarta-feira pelo desmembramento da investigação sobre a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR) na Operação Lava-Jato. Até o momento, sete ministros votaram para que o processo seja totalmente desvilculado da vara comandada pelo juiz Sérgio Moro, no Paraná, e siga para a Justiça Federal, em São Paulo. Outros dois ministros se manifestaram contrários à decisão. Falta apenas o voto de Celso Mello. Luiz Fux não compareceu à sessão. Com isso, o STF abre caminho para que crimes descobertos em decorrência da Lava-Jato sejam considerados casos independentes, sem vinculação com a investigação central.

Votaram a favor da retirada da investigação sobre Gleisi Hoffman da Lava-Jato os ministros Dias Toffoli (relator do caso), Edson Fachin, Rosa Weber, Teori Zavascki, Cármen Lúcia, Marco Aurélio de Mello e Ricardo Lewandowski. Foram contra: Luis Roberto Barroso e Gilmar Mendes.

A discussão ocorreu na Segunda Turma do STF. Cármen Lúcia e Zavascki concordaram com a posição de Toffoli de desconectar o caso Gleisi da Lava-Jato. Se a posição prevalecer, a investigação que poderá ser aberta contra a senadora não ficará sob a relatoria de Zavascki, que conduz os inquéritos da Lava-Jato no STF. O relator seria o próprio Toffoli, que foi sorteado depois para conduzir as investigações.

Os indícios contra Gleisi surgiram a partir de depoimentos em delação premiada na Lava-Jato. Por ter direito ao foro especial, os documentos foram enviados ao STF e registradas como petição. O caso foi encaminhado a Zavascki, por ser ele o relator dos inquéritos da Lava-Jato. No entanto, o ministro verificou que não havia conexão com o caso e enviou os documentos a Lewandowski — que, por sua vez, sorteou um novo relator para a petição: Toffoli.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, insiste em vincular o caso Gleisi à Lava-Jato e pediu para que o relator fosse mesmo Zavascki. Diante da polêmica, Toffoli levou a discussão à Segunda Turma do STF. Em seu voto, Toffoli afirmou que uma prova obtida por delação premiada em uma investigação específica pode ser usada para respaldar outra investigação, de um assunto totalmente diferente. Nesse caso, o juiz responsável pelo caso não precisaria ser o mesmo da investigação original.

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